Bolsa fecha em baixa de 1,41% após ‘susto’ com impeachment; dólar sobe

160510_WaldirMaranhaoO mercado financeiro doméstico iniciou a segunda-feira (9) de mau humor, influenciado pelo cenário externo desfavorável. Por volta das 12h, a notícia de que o presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA) decidiu anular o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff fez o dólar disparar quase 5%, para a casa dos R$ 3,67, e o Ibovespa cair até 3,5%, abaixo dos 50.000 pontos.
Os investidores foram se acalmando à medida de que ganhava força a avaliação de que a decisão de Maranhão não prosperaria. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), anunciou mais tarde em plenário sua decisão de ignorar o ato do presidente interino da Câmara.
Com a decisão do peemedebista, o Senado mantém a previsão de votação da abertura do processo de impeachment para quarta-feira (11).
Entretanto, segundo analistas e operadores, a cautela nos negócios deve predominar pelo menos até a votação do processo de impeachment no plenário do Senado. O dólar comercial fechou em alta, na faixa dos R$ 3,52, o dólar à vista no patamar de R$ 3,55 e o Ibovespa caiu 1,41%.
“Foi um susto, mas logo os negócios foram voltando à normalidade, já que ninguém no mercado acreditava que a anulação do impeachment iria adiante”, comenta um operador.
Após bater a mínima de 49.907,77 pontos (-3,50%), o Ibovespa fechou em baixa de 1,41%, aos 50.990,06 pontos. O giro financeiro foi de R$ 7,9 bilhões.
O índice foi pressionado pelas ações de Vale, Petrobras e siderúrgicas.
O motivo foram os dados ruins da balança comercial da China e o recuo no preço das commodities.
Os papéis PNA da Vale caíram 8,65%, a R$ 12,35, e os ON, -9,77%, a R$ 15,23, influenciados pela queda do minério de ferro no mercado internacional.
O minério de ferro entregue em Qingdao, na China, caiu 5,66% nesta segunda-feira, para US$ 54,99 a tonelada.
Entre as siderúrgicas, CSN ON caiu 10,05%; Gerdau PN, -6,12%; e Usiminas PNA, -9,01%.
As ações PN da Petrobras perderam 5,95%, a R$ 9,48, e as ON, -6,65%, a R$ 12,07. Em Londres, o petróleo Brent recuava 3,86%, a US$ 43,62 o barril; em Nova York, o petróleo tipo WTI caía 2,73%, a US$ 43,44 o barril.
No setor financeiro, Banco do Brasil ON recuou 2,12%; Itaú Unibanco PN subiu 0,62%; Bradesco PN, +0,63%; Santander unit, +0,87%; e BM&FBovespa ON, +0,24%.
“A decisão do presidente interino da Câmara reforçou a tendência que prevalecia nesta manhã nos mercados locais, por conta de um cenário externo menos favorável”, comenta a equipe de análise da Guide Investimentos, em relatório. “Afinal, dados fracos de exportações e importações chinesas colocavam um viés de baixa sobre as commodities e aumentavam receios sobre o futuro crescimento do país asiático.”
Na China, segunda maior economia do mundo e grande consumidor de commodities, as exportações caíram 1,8% em abril na comparação anual, enquanto as importações recuaram 10,9%.
DÓLAR
O dólar comercial, que avançou até 4,90%, a R$ 3,6770, terminou em alta de 0,54%, a R$ 3,5240. O dólar à vista –que na máxima da sessão chegou a subir 4,75%, a R$ 3,6755— fechou com ganho de 1,43%, a R$ 3,5590.
Pelo quarto dia seguido, o Banco Central não realizou leilão de swap cambial reverso, equivalente à compra de dólares pela autoridade monetária. Analistas avaliam que o BC só deverá voltar a atuar se a moeda americana ficar abaixo de R$ 3,50.
O dólar se valorizou frente a quase todas as moedas globais, fortalecido pela queda das commodities e pelas especulações de que o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) poderá subir os juros mesmo com sinais de desaceleração no mercado de trabalho americano.
Hideaki Ilha, operador de câmbio da Fair Corretora, acredita que, além do cenário externo negativo, a informação de que o vice-presidente Michel Temer quer evitar uma queda maior do dólar ante o real, no caso de ele substituir a presidente Dilma Rousseff, tem ajudado a manter as cotações acima dos R$ 3,50. “Quando o dólar chega a esse piso, praticamente não há vendas.”
No mercado de juros futuros, o contrato de DI para janeiro de 2017 avançou de 13,675% para 13,695%; o DI para janeiro de 2021 subiu de 12,580% para 12,690%.
O CDS (credit default swap), espécie de seguro contra calote e indicador da percepção de risco do país, subiu 1,79%, aos 347,551 pontos.
EXTERIOR
Na Bolsa de Nova York, o índice S&P 500 terminou em alta de 0,08%; o Dow Jones, -0,20% e o Nasdaq, +0,30%.
Na Europa, os índices também fecharam com sinais mistos: Londres (-0,18%); Paris (+0,50%); Frankfurt (+1,12%); Madri (-0,47%); e Milão (-0,88%).
Na China, o índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 2,07%, enquanto o índice da Bolsa de Xangai teve queda de 2,76%, com a piora das exportações e importações do país.
O índice Nikkei da Bolsa de Tóquio subiu 0,68%.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/05/
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