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The Witcher: 6 acertos e 4 erros na série da Netflix

Os oito episódios da primeira temporada de The Witcher já estão disponíveis na Netflix, servindo como uma introdução promissora ao universo criado pelo autor polonês Andrzej Sapkowski.

 

No texto abaixo separei os seis principais acertos, e os quatro maiores erros da adaptação da Netflix em comparação com os livros que servem de base para o seriado.

 

Atenção: este texto contém spoilers.

 

Acertou: Arco de Yennefer

Yennefer de Vengerberg é, sem dúvida alguma, a personagem mais fascinante de The Witcher, sendo quem mais evolui entre os personagens principais a cada episódio.

A princípio, temi que apresentá-la primeiro como uma pessoa frágil e apenas depois como uma feiticeira extremamente poderosa seria prejudicial para a narrativa. Afinal, trata-se de uma completa inversão com relação aos livros.

No entanto, esta acabou sendo uma escolha excelente, pois viabilizou o único arco de amadurecimento genuinamente intrigante do seriado. O mérito se dá, em grande parte, à excelente atuação de Anya Chalotra; de longe, o maior acerto em termos de casting.

Acertou: Piadas e músicas de Jaskier

O alívio cômico é um recurso utilizado com certa frequência nos livros de The Witcher. Normalmente, Jaskier — ou Dandelion, para quem o conheceu nos games — é quem quebra a seriedade da narrativa, fazendo observações desnecessárias em momentos inadequados, aumentando muito a grandiosidade dos feitos de Geralt ou se colocando em perigo simplesmente porque superestima as próprias capacidades.

Não me impressionaria se a Netflix acabasse usando o personagem mais vezes do que precisava para tentar forçar uma identificação com os espectadores. Por sorte, pudemos constatar que não foi o caso.

Jaskier não aparece o tempo inteiro fazendo piadas, como seria o caso em um filme da Marvel. Ademais, as piadas em si não são tão banais e escatológicas quanto nos livros. Portanto, temos mais um exemplo de uma alteração com relação ao material original que acabou funcionando muito bem. Joey Batey, inclusive, se mostrou extremamente competente na função de amigo engraçado do protagonista. Espero que as próximas temporadas o aproveitem tão bem quanto a primeira.

Acertou: Cenas de ação

Desde quando assisti ao primeiro episódio pela primeira vez (faz tempo), não consigo falar de The Witcher sem elogiar a batalha no mercado de Blaviken.

A coreografia é simplesmente perfeita. A brutalidade do combate faz jus ao que qualquer leitor esperava, embora a morte de Renfri acabe sendo menos violenta do que nos livros.

A flechada que Geralt evita com a espada, a cabeça de um dos aliados de Renfri que o Bruxo arranca sem qualquer necessidade, a agilidade do duelo com a líder deles; tudo funciona da melhor maneira possível. O desfecho compensa pelos incontáveis diálogos previsíveis que precedem a luta.

Acertou: Adaptação de O Bruxo

O terceiro episódio da primeira temporada de The Witcher é o meu favorito. Nele, o espectador finalmente assiste à adaptação do primeiro conto de O Último Desejo — que, cronologicamente, é o primeiro livro da série.

A batalha contra a Estrige é uma das poucas lutas envolvendo magia que não sofre por causa dos efeitos especiais. É fato que o cenário escuro colabora para este mérito, mas isso não chega a ser um problema. Acaba sendo igualmente benéfica para o combate a intercalação entre cenas da luta e da agonizante transformação de Yennefer em Aretuza.

Fora o combate, a introdução precoce de Triss Merigold acaba sendo importante para a última guerra da temporada, sendo mais uma mudança acertada com relação aos livros. Toda a trama envolvendo a descoberta de que Foltest é o pai da filha da própria irmã também é importante para evidenciar quão imperfeitos são os reis e rainhas deste universo, assim como os de qualquer outro.

Acertou: Tissaia de Vries aparece desde o início

A Irmandade dos Magos não seria metade do que é sem Tissaia de Vries. Infelizmente, o mesmo se pode dizer sobre a personagem cuja única razão para continuar viva é justamente a organização.

Caso a adaptação continue recebendo novas temporadas até que se chegue ao romance Tempo do Desprezo, é importante que o público já tenha conhecido e se apegado a Tissaia de Vries. Ela se torna especificamente importante no livro citado.

Introduzi-la logo na primeira temporada acabou sendo uma decisão inteligente. Aliás, por ela fazer parte do núcleo que mais depende de efeitos especiais para se tornar imersivo (e os efeitos da série deixam a desejar), pensei que a personagem fosse acabar me cansando, mas a atuação de MyAnna Buring faz valer cada segundo.

Acertou: A Irmandade dos Magos

É evidente que, com o êxito no estabelecimento de Tissaia de Vries como pilar da narrativa, a Irmandade dos Magos acabou se mostrando muito mais interessante.

Por mais que a suposta atmosfera mágica de Aretuza não funcione tão bem quanto deveria, as poucas reuniões que mostram os feiticeiros discutindo o futuro do Continente são incríveis. Tratam-se de alguns dos poucos momentos nos quais o roteiro não parece tão amador.

O último episódio da primeira temporada deixou claro que lutas entre feiticeiros talvez acabem não sendo tão bem representadas na série, mas espero que isso seja corrigido a tempo da batalha na ilha de Thanedd, que acontecerá no futuro e será determinante para o futuro da Irmandade.

Errou: Introdução de Vilgefortz

Vilgefortz é um personagem extremamente importante em The Witcher. Talvez o mais relevante para a história, abaixo apenas de Geralt, Yennefer e Ciri. É exatamente por essa razão que a introdução dele acaba sendo tão problemática.

Muitas pessoas provavelmente não esperavam pela revelação de que o feiticeiro não é leal à irmandade, mas isso poderia ter muito mais impacto se a apresentação do personagem não fosse tão discreta.

Já que tantas alterações com relação à história original foram implementadas, por que não mais uma? Fazer Vilgefortz perder uma luta contra Cahir Mawr Dyffryn aep Ceallach foi a pior forma de tirar o personagem de cena. Acho que muitas pessoas custarão a enxergá-lo como deveriam no futuro.

Errou: Adaptação de A Espada do Destino

A floresta de Brokilon é impenetrável. Homem algum consegue se aproximar dela e todas as garotas que lá entram nunca conseguem deixar o local. Isso nos livros, é claro, porque a série sequer se preocupa com contar o básico sobre as Dríades, a não ser por um tímido diálogo entre a líder delas e Ciri.

Circunstâncias muito específicas tornam possível que Ciri deixe o lugar na história original. Inclusive, essas circunstâncias incluem a revelação de que a garota é uma fonte de Magia com sangue ancestral e a criança prometida a Geralt muito tempo atrás. Enquanto isso, no seriado, as Dríades são tratadas como apenas um povo que adora e protege a natureza, sem que seja atribuído ao grupo qualquer relevância.

Em A Espada do Destino, Geralt foge do destino mais uma vez, deixando a garota para trás aos cuidados de Myszowor (Mousesack) — que nunca morreu nos livros e jamais seria assassinado como foi na série. O conto traz um clímax surpreendente que põe fim ao crescente mistério que surge naquele ambiente hostil. No seriado, a floresta de Brokilon nada mais é do que uma casa temporária para Ciri.

Errou: Adaptação de Algo Mais

Como se não bastassem os problemas de como adaptaram A Espada do Destino, outro conto extremamente importante para o relacionamento de Geralt e Ciri é prejudicado no seriado: Algo Mais. A história em que Ciri e Geralt se reencontram e se aceitam como os destinos um do outro nos livros.

Para começar, a adaptação do conto ocorre em paralelo com uma batalha simplesmente terrível mas extremamente relevante para o arco de Yennefer. Portanto, de um lado vemos Geralt quase morrendo enquanto tem visões do passado e da mãe dele e do outro há algo extremamente dinâmico acontecendo.

A mudança brusca de tom a cada cena é incômoda e acaba tornando muito menos impactante o clímax emocional — no caso, o primeiro encontro entre Geralt e Ciri no seriado. Algo que esperávamos desde o início. Seria melhor que fizessem mais dois episódios para um não atrapalhar o outro e tudo se desenrolar com mais calma.

Errou: Arco de Ciri inteiro

Para ser honesto, nada no arco de Ciri me cativou. Não por culpa da atriz Freya Allan, mas do próprio roteiro — e estou falando da minha personagem favorita nos livros.

Em Cintra, a personagem é vítima de cafonices sem explicação da direção. Posteriormente, Ciri encontra um amigo que some do nada, volta de repente e desaparece novamente por se mostrar chocado quanto ao instinto de sobrevivência básico da personagem.

E, não bastasse a inconsistência do comportamento e da personalidade da personagem a cada episódio, ela ainda acaba sofrendo por causa dos já mencionados efeitos especiais pobres. Todos os momentos em que ela deveria parecer ameaçadora não convencem, como quando ela grita no leito de morte da avó e alguns copos se mexem, como se isso comprovasse os poderes mágicos extremamente perigosos da Leoazinha de Cintra. Ciri merece mais do que isso. Espero que encontrem uma maneira de fazer jus à personagem no futuro.

Confira, no NETFLIX!

Fonte: IGN Brasil 

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Análise do filme: THE CORPORATION

Em 16/05/2017 o professor Douglas Soares que ministra aulas da disciplina “Administração Estratégica” para o curso de ADMINISTRAÇÃO, apresentou em sala de aula para fins de análise e discussão o filme “The Corporation” (Canadá, 2004) informando que caso haja interesse dos alunos, a confecção de um resumo informativo e interpretativo do filme, após sua apreciação e aceitação, poderia ser utilizado como “Atividade Complementar” possibilitando a contabilização de horas conforme o “Programa de Atividades Complementares – PAC” do Centro Universitário Estácio de São Paulo.

O filme (documentário) “The Corporation” mostra o impacto das corporações na sociedade através de depoimentos, reportagens, propagandas, fotos e animações, iniciando com uma mensagem estranha e assustadora ao informar que na justiça dos Estados Unidos as corporações conseguiram adquirir o direito de ser uma pessoa, baseando-se na própria Constituição do país.

Com a definição de “pessoa” as corporações puderam agir como tal, contratando e demitindo empregados, comprando e vendendo empresas.

Partindo da primícia de tratar-se de uma pessoa, fica evidente que a motivação dos criadores deste documentário foi apresentar estas corporações sob a ótica ética e moral, e seus trabalhadores unidos por objetivos comuns sendo que o principal deles é gerar lucro aos proprietários destas corporações. Como esta “pessoa” não existe fisicamente foi constituído um corpo jurídico, logo, são pessoas especiais cujo objetivo de vida é lucrar, o máximo possível, de forma que seus acionistas estejam sempre felizes, não importando os meios para esta conquista.

As “maçãs podres” mencionadas no início do filme são grandes corporações norte-americanas envolvidas em escândalos que abalaram o mercado financeiro. Para maximizar o lucro as corporações contratam mão de obra barata e vendem o produto final com preço altíssimo, além de usurpar recursos naturais como, por exemplo, a água.

Não percebemos a participação frequente dessas empresas em nosso cotidiano, indo além de produtos e serviços, ou seja, as “externalidades” que também são por elas transmitidas a nós. Pagamos por estas “externalidades” ao permitir a devastação do meio-ambiente, a exploração da mão de obra devido à fome e miséria entre os pobres trabalhadores de países subdesenvolvidos, a exploração do mercado bélico que alimenta a guerra e até a própria guerra que permite gerar consumo a altos custos. Assistimos o depoimento de um investidor afirmando que as guerras e as graves crises são um ótimo negócio para quem investe em petróleo, ouro, armas, indústria farmacêutica, água, alimentos e etc.

As grandes corporações multinacionais se estabelecem nos países em desenvolvimento em busca de oportunidades de maximizar seus lucros e ganhar cada vez mais dinheiro através da exploração da mão de obra de pessoas que nada mais têm a oferecer para garantir sua sobrevivência além da mão de obra barata.

A propaganda nos impulsiona para consumir desenfreadamente até mesmo produtos que não queremos, precisamos ou desejamos, estão fazendo com que os recursos naturais se esgotem rapidamente sem que isso seja necessário.

Destaca-se no filme um momento onde um CEO de uma multinacional diz ser impotente para mudar algumas atitudes tomadas pela empresa, mesmo estas sendo contrárias a sua filosofia de vida, seus princípios morais. É interessante pensar que embora a corporação seja uma pessoa jurídica, ela existe porque “pessoas” a mantém viva, são pessoas trabalhadoras como nós que “administram” e cometem abusos em prol da maximização do lucro.

 

 

Qual a mensagem principal do documentário?

Que a sociedade reflita sobre os atos e atitudes das corporações, temos que rever a forma como estamos vivendo e utilizemos o único recurso capaz de modificar esta situação:

– O boicote aos produtos destas corporações!

Infelizmente o boicote não será suficiente para resolver o problema, pois, já vimos que ao protestar e boicotar, as corporações adotaram um perfil diferenciado, uma nova roupagem investindo em ações ambientais e evitando explorar a mão de obra infantil ou escrava com intuito de apresentar sua nova postura, sua conscientização sobre a sociedade como um todo, mas, a verdade é que a corporação se beneficia destes atos buscando maximizar ainda mais seus lucros.

A grande questão:

– Como converter a cultura organizacional para ações éticas sendo estas contrárias ao âmago do capitalismo?

E você, futuro administrador, qual será seu posicionamento ético diante da situação apresentada?

Vale a pena assistir este documentário e refletir sobre nossas ações.

Marcelo de Toledo, 15 de junho de 2017.

[Total: 4    Média: 5/5]
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Capitão América: Guerra Civil

Achei justo! Depois do estrago que fizeram em “Vingadores: Era de Ultron” alguém tinha que colocar ordem na casa. Embora o título “Guerra Civil” nos remeta a seriedade e pancadaria (afinal, GuerraCivil_160430estamos falando da Marvel) confesso que gostei – e muito – do filme. Vejo que a cada nova produção eles injetam uma dose maior de humor e não apenas pitadas humorísticas como no passado. É um filme que induz a reflexão por tratar de conflito de ideias, as cenas de luta utilizando uma visão privilegiada novamente garantem uma nota 10 para Marvel (enquanto para DC dou nota 8). Se você é um nerd aficcionado* por física então não recomendo o filme, pois o escudo do CA me lembrou Wingardium Leviosa.

Resumindo: EXCELENTE FILME tanto para veteranos como iniciantes.

*Antes que puxem minha orelha, o correto é “aficionado”, porém, para linkar com a idéia de ficção utilizei “aficcionado”. 😉

 

SP Market Cinemark (nota 5,0)

XD_Cinemark_SPMarket

Um lixo!

Sempre utilizo a mesma sala (única XD do SP Market) e os problemas normalmente são poucos (falhas na projeção “antes” de começar o filme e/ou pouca sujeira), porém, em 30/04/2016 para a primeira seção foi um horror. Certamente ninguém ficou para limpar o CINEMARK após a última seção de sexta feira, e, ninguém chegou mais cedo, pois às 11h00min de sábado estava tudo imundo, corredores, frente da lanchonete e a sala XD. Demoraram muito para liberar a entrada e, quando entramos, um lixo danado. Um fedor que lembrava alguém fumando cachimbo. E a tela estava completamente escura, apenas o áudio das propagandas que antecedem o filme estavam presentes. Parecia que aquela escuridão era proposital, afim de esconder tamanha sujeira, mas, nem a escuridão conseguiu essa proeza. Acho um absurdo pagar R$ 36,00 por um ingresso em uma “sala especial” (XD! Um absurdo de som: 7X mais potente. Um absurdo de tela: 40% maior. Um absurdo de cinema: Sala XD Cinemark) e receber em troca um serviço de péssima qualidade. O banheiro, que fica em frente à entrada da sala estava imundo. Uma placa informava aos desatentos “CUIDADO: Piso molhado”, era URINA. Deveria ter tirado uma foto, só agora pensei nisso.

PONTUAÇÃO GERAL (Nota – Descrição)

10 FILME

Acessibilidade
10 sinalização
10 localização dos lugares para cadeirantes
10 rampas de acesso
5 piso tátil para cegos

Atendimento
8 cordialidade
7 treinamento
3 agilidade
3 pontualidade

Conforto
10 espaço entre as fileiras
10 poltronas
8 sala de espera e bonbonnière
0 limpeza e conservação dos banheiros

Imagem
10 condição física da tela
10 foco e enquadramento
10 contraste e definição
10 estabilidade da imagem e dos letreiros

Segurança
10 saídas de emergência
10 extintores e hidrantes
10 sinalizações e luzes de emergência

Som
10 volume
0 falhas sonoras
0 ruídos externos

 

[Total: 4    Média: 5/5]
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